Respostas enológicas de portaenxertos e clones de Tannat em vinhedos da Região da Campanha Gaúcha - RS
Abstract
No contexto vitivinícola brasileiro, a Região da Campanha Gaúcha – RS tem se destacado na produção de uvas e vinhos finos. Mesmo assim, várias questões relevantes em viticultura e enologia ainda não foram respondidas para as condições locais dessa região. Por exemplo, há demonstrações tecnológicas de que a variedade Tannat tem potencial de produção nessa região, porém não se caracterizaram portaenxertos, tampouco clones dessa variedade que possam potencializar seu cultivo no bioma em estudo. Frente ao exposto, decidiu-se avaliar a relação da interação de portaenxertos com clones de ‘Tannat’ nas respostas agronômicas e na qualidade do vinho. Os portaenxertos avaliados foram: ‘SO4’ (Vitis Berlandieri x Vitis Riparia), ‘Gravesac’ (‘161-49C x ‘3309C’) e ‘3309C’ (Vitis Riparia x Vitis Rupestris). Os clones de ‘Tannat’ avaliados foram: ‘Californiano’, ‘944’, ‘717’, ‘398’ e ‘794’. Para o estudo, usou-se, como modelo, vinhedo plantado há 7 anos, o que constitui um bom modelo para avaliação de potencial agronômico e enológico dos portaenxertos e dos clones de ‘Tannat’. Como variáveis dependentes avaliou-se a produtividade, maturação tecnológica e fenólica, além de elaborar os vinhos e avaliá-los quanto à qualidade físico-química, fitoquímica e sensorial. Desse estudo, se observou que, em termos de produtividade, não houve diferença entre os portaenxertos e clones. No que tange à maturação, observou-se maior precocidade de maturação para o clone ‘Californiano’, e homogeneidade nos demais tratamentos. Além disso, no vinhedo com clone ‘Californiano, se observou sintoma clássico de excesso de potássio nos cachos, evidenciado pelo ressecamento total e parcial de ráquis, dessecando cachos inteiros ou parcialmente. A partir da análise dos vinhos, se observou que, de modo geral, o clone ‘Californiano’ resultou em vinho de qualidade enológica inferior, enquanto as combinações ‘Gravesac’ – ‘794’, ‘Gravesac’ – ‘717’ e ‘Gravesac’ – ‘398’ resultaram em vinhos com maior concentração fenólica. Mas, pela análise sensorial, não foi detectada diferença na avaliação global dos vinhos.

