Staphylococcus aureus isolados de leite de vacas com mastite em diferentes regiões do Rio Grande do Sul: enterotoxigenicidade, capacidade de formação de biofilme, resistência a antimicrobianos e classificação nos grupos agr
Resumo
A mastite bovina é um grave problema para o rebanho leiteiro em todo o mundo, sendo S. aureus o principal micro-organismo causador da doença, assim como é um dos mais importantes micro-organismos envolvidos com doenças transmitidas por alimentos (DTA). O objetivo deste estudo foi avaliar a identidade de 31 isolados de Estafilococos coagulase positiva (ECP) provenientes de mastite bovina clinica e subclínica, através de análises fenotípicas e moleculares, além de verificar o seu potencial enterotoxigênico, capacidade de formação de biofilme, resistência a antimicrobianos e sua classificação nos grupos agr. Para avaliação do perfil de enterotoxigenicidade, avaliou-se a presença dos genes das enterotoxinas clássicas (eea, eeb, eec, eed e eee) utilizando a reação em cadeia da polimerase (PCR) e, para verificação da capacidade de produção de biofilmes, avaliou-se a capacidade de aderência em microplacas de poliestireno, bem como a presença dos genes icaA e icaD, por PCR. A resistência a antimicrobianos foi testada segundo as normas do CLSI (2012). Para a classificação nos grupos agr utilizou-se uma biplexPCR. Todos os isolados pertenciam à espécie S. aureus. Foi observada resistência a um ou mais antimicrobianos em 93% dos isolados, e 54% foram multirresistentes. Com relação à formação de biofilme, 45% dos isolados aderiram ao poliestireno, sendo que a presença do gene icaA, foi observada em 71% e do gene icaD, em 74% dos isolados. Para a presença dos genes das enterotoxinas clássicas, observou-se a prevalência do gene da enterotoxina A (13%), seguido pelos genes da enterotoxina C (6,4%) e B (3,2%). Não houve presença do gene da enterotoxina D e E. Quanto a classificação nos grupos agr, foram prevalentes agr III e I (32,2% e 22,5% respectivamente), porém, houve sobreposição destes grupos em dois isolados. Verificou-se que todos isolados pertenciam a espécie S. aureus entre os isolados de ECP provenientes de mastite, de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, Brasil. Alguns isolados apresentam genes de enterotoxinas e têm capacidade de formar biofilme em poliestireno, podendo persistir em ambientes da ordenha e da indústria de alimentos, além de contaminar o leite. Apresentam resistência à maioria dos antimicrobianos testados, e pertencem a distintos grupos agr, sendo que os grupos agr mais prevalentes são os que regulam a resistência a antimicrobianos e a formação de biofilme, fatores preocupantes para a incidência da doença e para a persistência em ambientes de ordenha/indústria.

