Quantificação de micotoxinas e resíduos de fungicidas em grãos de trigo por LC-QTOF-MS
Resumo
O trigo (Triticum aestivum) é mundialmente um dos cereais mais consumidos e está sujeito a contaminação por micotoxinas e fungicidas. As micotoxinas são metabólitos oriundos do metabolismo especializado de fungos filamentosos, sendo os principais do gênero Fusarium, Penicillium e Aspergillus, responsáveis pela produção de fumonisinas, zearalenona (ZEA), deoxinivalenol (DON), ocratoxinas e aflatoxinas. O objetivo deste trabalho foi validar metodologia analítica por LC-ESI-QToF-MS para determinação simultânea de micotoxinas e resíduos de fungicidas em grãos de trigo. Os tratamentos na planta de trigo foram realizados com os fungicidas Fox (trifloxistrobina e protioconazol), Opera (epoxiconazol e piraclostrobina) e Unizeb Gold (mancozebe), separadamente e em mistura. Todos os parâmetros (linearidade, limite de detecção e quantificação, exatidão, precisão, especificidade, seletividade e efeito de matriz) para a validação do método analítico de quantificação ficaram em conformidade com as regras da AOAC, ANVISA e a SANCO. Para a extração simultânea de micotoxinas (aflatoxina B1, B2, G1, G2, deoxinivalenol, fumonisina B1, ocratoxina A e zearalenona) e fungicidas (trifloxistrobina, protioconazol, piraclostrobina, epoxiconazol e mancozebe) foi utilizado o método de Quechers. O epoxiconazol e o DON foram as moléculas que apresentaram maior concentração nas amostras analisadas. O mancozebe não foi possível ser detectado pelo LC-ESI-QToF devido suas características poliméricas e dificuldade de solubilização. Avaliando uma possível relação da aplicação de diferentes fungicidas nas plantas de trigo com a produção de micotoxinas pode-se observar que os fungicidas trifloxistrobina, protioconazol, epoxiconazol, piraclostrobina e mancozebe, aplicados separadamente e como mistura, podem ter estimulado a produção de AFB2; os princípios ativos trifloxistrobina, protioconazol e mancozebe podem ter apresentado efeito estressor ao fungo, produzindo ZEA; enquanto o uso dos fungicidas epoxiconazol, piraclostrobina e mancozebe podem ter promovido à produção de OTA. As moléculas de AFB1 e DON foram encontradas em menor concentração em todos os tratamentos, quando comparados com amostras controle, exceto para o tratamento com o mancozebe no qual a concentração de DON aumento em 11%.

