Efeito antitumoral e modulação do status redox do extrato de Rubus sp. (amora-preta) em linhagens celulares de glioblastoma
Abstract
O glioblastoma (GBM) é um tumor cerebral altamente maligno devido ao seu
comportamento agressivo, manifestado por uma intensa atividade de divisão celular,
habilidade de formação de novos vasos sanguíneos e propensão à invasão nos
tecidos circundantes, sendo comum observar uma resposta frequentemente limitada
ao tratamento oncológico convencional. Ademais, a combinação da agressividade
do tumor com as opções limitadas de tratamento resulta em uma taxa de sobrevida
baixa para os pacientes, entre 12 a 15 meses. Nessa perspectiva, Rubus sp.
(amora-preta) faz-se alvo de estudos como uma alternativa terapêutica para o
tratamento do GBM, tendo em vista sua rica composição em compostos bioativos
com propriedades antioxidantes e antineoplásicas já descritas em outras neoplasias.
Dessa forma, o presente estudo teve como propósito investigar o potencial
antitumoral do extrato metanólico de amora-preta em relação às linhagens de glioma
de rato (C6) e humana (U87). Células das linhagens de glioma C6 e U87 foram
expostas ao extrato metanólico de amora-preta em concentrações variando de 125 a
2000 µg/mL, ao longo de períodos de 24 h, 48 h e/ou 72 h. Foram avaliadas
viabilidade e biomassa celular, nas linhagens cancerígenas e em cultura primária de
astrócitos. Ainda, parâmetros de estresse oxidativo, formação de colônias,
proliferação e migração celular, além dos níveis de interleucina 10, foram avaliados
na linhagem C6. Inicialmente, não foram observadas alterações de viabilidade ou
biomassa celular em culturas de astrócitos saudáveis expostas ao extrato de amora
preta, indicativo de sua não toxicidade. Por outro lado, o extrato de amora-preta,
para a linhagem C6, reduziu a viabilidade e biomassa celular a partir das
concentrações de 750 µg/mL e 500 µg/mL respectivamente, e para a linhagem U87,
nas concentrações de 125-2000 µg/mL. Após 72h de tratamento, observou-se na
linhagem C6 uma redução de espécies reativas em todas as concentrações
testadas, um aumento no conteúdo de sulfidrilas nas concentrações de 1500 e 2000
µg/mL, bem como, elevação da atividade das enzimas glutationa S-transferase,
superóxido dismutase e catalase nas três maiores concentrações. Quanto à
formação de colônias, observou-se uma redução em tamanho e número na C6.
Referente à migração celular, foi observada uma atenuação a partir de 6 h de
tratamento com 125 µg/mL do extrato de amora-preta. Ademais, observou-se uma
redução expressiva dos níveis de interleucina 10 em todas as concentrações
testadas. Assim, o extrato de amora-preta emerge como um promissor composto na
abordagem terapêutica do GBM.

