Batucada: narrativas de mulheres ritmando resistência
Abstract
Esta dissertação propõe uma abordagem narrativa construída a partir da etnografia surrealista, tecida no Coletivo Batucantada, em Pelotas/RS. Articulam-se saberes corporais, musicais e narrativos vivenciados pelas mulheres e pela pesquisadora e suas Outras — mestra de bateria, aprendiz, percussionista e mulher negra em processo de criação e escrita (AMORIM, 2004). A pesquisa se desdobra na reflexividade da relação dessas mulheres com a percussão e com o tambor. A pele do tambor é apresentada como um meio de reflexão, e a estrutura do texto se organiza pela circularidade da roda — rompendo a linearidade e assumindo uma composição fragmentária, inspirada na filosofia da apresentação (Darstellung), conforme Benjamin (1984). O texto se desenvolve em quatro toques, cada um apontando para uma dimensão da pesquisa: a escrita como fragmento e montagem; a gramática dos tambores e sua relação com o corpo; a presença dos orixás como forças que atravessam a narrativa; e a memória da mulher e do tambor como territórios de resistência. A dissertação adota uma escrita feminina — fluida, coletiva e insurgente — segundo Castello Branco (1991), tensionando formas acadêmicas tradicionais em diálogo com epistemologias negras, a oralidade e os saberes da diáspora, com base em autores como Rufino (2019, 2021), Simas (2018, 2024) e Bispo (2023). Como resultado, a pesquisa evidencia a roda percussiva como espaço de produção de conhecimento, pertencimento e resistência, destacando o tambor como ferramenta política e pedagógica, capaz de resgatar memórias silenciadas e ampliar as possibilidades de escrita e escuta no campo da educação.

