A literatura como phármakon: ou sobre a curiosidade e transgressão em A Divina Comédia e O Nome da Rosa
Resumen
Narrativas ficcionais permitem ao pesquisador uma ampla gama de abordagens
de estudos, dentre os quais está a intersecção entre literatura e filosofia. Com
base nesse pressuposto, esta tese tem como objetivo analisar os tópicos
escritura, literatura e intertextualidade através do tópico curiosidade a partir,
principalmente, da noção de phármakon. Com esse objetivo, esta tese se divide
em três capítulos: primeiramente, é trabalhado o tema escritura a partir do mito
de Theuth e Thamous usado por Platão no Fedro e por Jacques Derrida em A
Fármácia de Platão e, consequentemente, as críticas sofridas por esse tipo de
discurso; já nos segundo capítulo, nosso foco passa a ser as acusações
elencadas contra a literatura ao longo dos tempo, sendo ainda debatido as
formas de controle que a regulam; por fim, é realizado um estudo comparativo
entre os espaços arquitetônicos criados em duas obras cujo potencial literário é
inesgotável - em O Nome da Rosa (2022), de Umberto Eco, e A Divina
Comédia (2019), de Dante Alighieri - mediante os conceitos de heterotopia e
polarização e também, tendo como base conceitos de Georges Bataille e os
estudos de Michel Foucault. Nesse capítulo é feito tambpem um estudo
intertextual, com ênfase nas manifestações de excesso presentes nas obras,
especialmente a curiosidade. Para tanto, nosso aporte teórico centra- se em
conceitos oriundos dos estudos sobre a escrita, sobre a literatura e sobre a
intertextualidade desenvolvidos principalmente por Platão, Jacques Derrida,
Georges Bataille e William Marx, tendo como apoio Michel Foucault, Giorgio
Agambem, Roger Caillois, Gérard Genette e Thiphaine Samoyault.

