“Para sobreviver, deixe o passado ensinar”: Identidades Diaspóricas e Afrofuturismo em A Parábola do Semeador e A Parábola dos Talentos, de Octavia Butler e Binti, de Nnedi Okorafor

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Data
2024-09-04Autor
Freitas, Anderson Luís Brum de
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No âmbito das discussões acerca da literatura negra, o afrofuturismo aparece como
um movimento caracterizado pela centralidade colocada em obras escritas por
autores negros sobre o futuro de pessoas negras. Cunhado por Mark Dery (1994), o
movimento vem passando por um processo de expansão, à medida que se consolida
academicamente. Sob essa perspectiva, o afrofuturismo se fundamenta por meio da
premissa de um futuro tecnológico, permeado por críticas relacionadas ao presente,
mas que dialogam com o passado. Nesse sentido, as interpretações relacionadas a
um possível papel de “previsão” do afrofuturismo são importantes para as tentativas
de se pensar um mundo em que pessoas negras possuem destaque. A partir de
contextos distópicos e utópicos, pergunta-se quais são as possibilidades de futuro e
investiga-se quais os caminhos para se imaginar um futuro que consiga ser pior do
que as adversidades históricas vivenciadas pelas populações negras, como o
colonialismo e o racismo. Carregado de críticas que atravessam o caos climático e
sociopolítico, o afrofuturismo emerge como um movimento de reflexão sobre o ato de
sonhar. Com isso em mente, este trabalho debate os conceitos que envolvem o
movimento afrofuturista, assim, procurando refletir sobre concepções históricas e as
sementes iniciais do movimento, como a Harlem Renaissance, até alcançar o
panorama atual da literatura afrofuturista. Além disso, discutem-se questões
relacionadas à ancestralidade, à utopia e ao gênero distópico. Nesse contexto, tem se como objetivo estabelecer uma comparação entre a duologia Semente da Terra,
composta pelos livros A Parábola do Semeador (1993) e A Parábola dos Talentos
(1998), escritos por Octavia Butler, e a trilogia Binti (2015, 2017 e 2018), escrita por
Nnedi Okorafor. A partir dos entrelaçamentos que envolvem os romances, busca-se
refletir sobre o protagonismo feminino presente em Lauren Oya Olamina e Binti
Ekeopara Zuzu Dambu Kaipka Medusa Enyi Zinariya Novo Peixe de Namibe.
Ademais, analisa-se como a religião Semente da Terra atua como um fio-condutor
nas Parábolas, da mesma forma que a ancestralidade e a fantasia desempenham
papel central na compreensão de Binti. Ambas as narrativas trazem personagens que
rompem estereótipos e barreiras de identidade em situações diaspóricas, assim,
discute-se a importância dos futuros imaginados proporcionados pelos sonhos
afrofuturistas.
