Síndrome de Burnout, atividade física e fatores associados em professores da rede básica e superior de Macapá/AP
Resumo
A tese objetivou investigar a prática de atividade física de lazer e deslocamento em
professores estaduais e federais e suas associações com fatores psicossociais e
ocupacionais (estresse, ansiedade, depressão, síndrome de Burnout, qualidade do
sono e sociodemográficos), no município de Macapá no Amapá. O estudo foi de
delineamento transversal e participaram 968 professores (101 da universidade e 867
das escolas). A tese é composta por dois artigos elaborados a partir da coleta de
dados nas escolas e na Universidade Federal do Amapá. O artigo 1 analisou a
prevalência de níveis de atividade física de lazer e deslocamento ativo e sua
associação com fatores sociodemográficos entre docentes da rede básica e superior
de ensino de Macapá, Amapá, Brasil. Foram realizadas análises descritivas,
bivariadas e multivariável pela regressão de Poisson. A prevalência de atividade física
suficiente (≥150min/semana) no lazer e deslocamento foi de 57,23% (IC95%: 54,10–
60,35) e 16,32% (IC95%: 13,99–18,65), respectivamente. Homens demonstraram
maior atividade física de lazer e deslocamento comparado às mulheres. Docentes sem
filhos e que moram em condomínios foram mais ativos no lazer, enquanto ter três ou
mais filhos esteve associado a níveis mais baixos de atividade física. Professores com
doutorado foram mais ativos em todos os domínios. Houve associação positiva entre
professores que se declararam de cor/raça amarela e maior atividade física no
deslocamento. Docentes apresentaram níveis de atividade física satisfatório, porém,
no deslocamento mantiveram-se com baixo nível de AF. O artigo 2 teve como objetivo
investigar a associação entre desfecho Síndrome de Burnout (SB) e exposições como:
prática de atividade física (AF), fatores ocupacionais e psicossociais. A prevalência da
SB em docentes medida pelo MBI (Marlash Burnout Inventory), foi elevada: exaustão
emocional moderada/intensa em 90,5%, despersonalização em 85,3% e baixa
realização profissional em 44,0%. Entre os fatores psicossociais, utilizou-se o DASS
21, observaram-se altas prevalências de sintomas de ansiedade (73,2%), depressão
(78,9%) e estresse (83,5%), bem como forte associação desses sintomas com as
dimensões da SB. Na análise multivariada, a SB apresentou maior prevalência de SB
esteve associada ao sexo feminino, má qualidade do sono, equilíbrio vida-trabalho
insatisfatório e sintomas psicossociais severos. Destaca-se que a má qualidade do
sono foi associada de forma consistente a todas as dimensões da SB. Conclui-se que
a SB apresentou alta ocorrência entre os docentes, associada sobretudo a fatores
psicossociais, ocupacionais e demográfico (mulheres),, enquanto a prática de AF não
demonstrou efeito protetor consistente aos que foram acometidos com sintomas de
SB.
