Estudo da morfometria do alantocórion e cordão umbilical de éguas Crioulas
Abstract
A placenta caracteriza-se como um órgão transitório, formado por tecidos de origem
materna e fetal, com a função de transportar substâncias nutritivas do organismo
materno para o feto, bem como promover trocas metabólicas e desempenhar funções
endócrinas, sendo responsável pela síntese, secreção e absorção de uma série de
substâncias, incluindo hormônios, fatores de crescimento, enzimas, proteínas e
carboidratos, todos essenciais ao desenvolvimento do feto. A criação de equinos da
raça Crioula está amplamente difundida nas Américas. Tendo em vista a grande
importância da raça e a escassez de informações específicas sobre a placentação
este trabalho tem o objetivo de caracterizar a placenta e cordão umbilical de éguas
da Raça Crioula no pós-parto, considerando avaliação macroscópica, histológica,
morfométrica e estereológica. Assim foram compilados três artigos. Artigo 1:
“Características anato morfofuncionais do alantocórion de éguas Crioulas saudáveis
e sua relação com a biometria materna e neonatal.” Ao longo de 4 temporadas
reprodutivas, um total de 39 placentas de éguas da raça Crioula foram coletadas.
Realizadas as seguintes avaliações para obtenção de variáveis e índices: Biometria
materna e fetal; Avaliação macroscópica e obtenção das medidas morfométricas da
placenta; Coletas de fragmentos; Avaliação histopatológica e avaliação estereológica.
Desta forma o objetivo do experimento é determinar as características morfológicas,
histológicas e estereológicas da placenta a termo e cordão umbilical de éguas da raça
crioula paridas no Sul do Brasil. Foi traçado um modelo de medidas lineares e foram
descritas as médias histomorfométricas microcotiledonares e vasculares para este
padrão de alantocórion. As medidas lineares da placenta apresentaram correlação
positiva com a biometria neonatal dos potros. Na histomorfometria, os achados do
corno gravídico apresentaram forte correlação positiva, sendo a área
microcotiledonária com o tempo de eliminação de placenta e a área capilar com o
peso do potro ao nascer. O comprimento médio do cordão foi de 54 cm, com um
padrão vascular usual tipo I e um padrão de fixação na superfície alantóide dorsal.
Artigo 2: “Avaliação histomorfométrica do corioalantóide na espécie equina com o uso
da análise digital de imagens” Foram acompanhadas 12 éguas da raça crioula, com
idade média de 8,4 ± 4 anos, com parto eutócico e nascimento de um único potro
saudável. As placentas foram eliminadas em 25,3 ± 10 minutos e pesaram 4,5 ± 0,7
Kg. Na avaliação histológica foram observados achados característicos de placentas
saudáveis a termo na espécie equina. Na avaliação digital, as imagens foram
avaliadas em cores RGB com o total de pixels calibrados para μm. As quantificações
da área microcotiledonar e capilar foram realizadas com a macro Color Threshold, e
faixa de cores ajustada pela escala RGB. No total foram avaliadas 360 fotos. As
medidas histomorfométricas obtidas demonstraram um padrão de distribuição normal
e a homogeneidade dos dados pode ser comprovada pelos baixos valores nas
medidas de dispersão entre as éguas avaliadas. Pode-se concluir que o uso da
análise digital de imagens para avaliação da histomorfometria microcotiledonária de
placentas equinas a temo mostrou-se uma ferramenta adequada para obtenção de
informações objetivas dessa estrutura. Artigo 3: “Cordão umbilical equino:
características na gestação e avaliação no pós-parto”, teve o objetivo de realizar uma
revisão sobre características do cordão umbilical durante a gestação em equinos,
bem como descrever as principais alterações e achados casuais na avaliação deste
junto à placenta e o neonato no pós-parto, desta forma agregando conhecimento e
fazendo uma revisão de literatura para os experimentos. O presente trabalho
alcançou os objetivos ao descrever as técnicas de análise e as medidas padrões para
a morfometria e estereologia de forma inédita para a raça Crioula.

