Cosmovisões e redes de saberes: um estudo sobre a atuação política da cacica Marlúcia Ribeiro Apinagé
Abstract
No cenário político brasileiro contemporâneo, as mulheres indígenas têm conquistado espaços de poder tanto em instituições formais — como a Câmara Federal e ministérios — quanto em funções tradicionais, a exemplo do cacicado em suas aldeias. Este estudo, realizado em parceria com a cacica Marlúcia (Nhánhôk), liderança do povo Apinajé (Tocantins), busca compreender, a partir de sua perspectiva, como a ancestralidade orienta práticas políticas, territoriais, educacionais e de saúde em diferentes contextos. A pesquisa adotou uma etnografia decolonial como método, privilegiando a aprendizagem direta com a cacica e sua cosmovisão, ancorada na relação corpo-território-coletividade. As vivências nas aldeias Barra do Dia, São José e Prata revelaram o protagonismo e a resistência das mulheres Apinajé, que subvertem estruturas coloniais ao ocuparem cargos de liderança tradicional e funções institucionais. Os resultados demonstram que, na realidade Apinajé, prestígio social e relações de parentesco são fundamentais para impulsionar mulheres a assumirem posições de poder, articulando saberes ancestrais com demandas contemporâneas e específicas da etnia. Essa dinâmica não apenas fortalece a autonomia indígena, mas também consolida novas formas de atuação política, desafiando hierarquias de gênero e reafirmando a centralidade da ancestralidade na luta por direitos.

