Escolar e não escolar: da nomeação ao problema dos âmbitos de atuação em Educação Física
Resumo
Esta tese investiga os efeitos da naturalização da expressão “não escolar” como
nomeadora de âmbitos de atuação em Educação Física, adotando a problematização
foucaultiana como atitude operacional para compreender seus desdobramentos na
formação inicial e na atuação profissional. Parte-se do pressuposto de que essa
nomeação atua como dispositivo de hierarquização, influenciando a idealização de
estratégias pedagógicas, a organização curricular e a adaptação às demandas do
mercado de trabalho. A produção dos resultados, apresentados na forma de
problemas, ocorreu por meio de um instrumento forjado a partir da plataforma
Jamboard, denominado Varal de Problemas. A interlocução com docentes do Núcleo
Docente Estruturante de um curso de Educação Física revelou a complexidade que
atravessa a constituição do campo, marcada por disputas, instabilidades e pela
recorrente fragmentação entre percursos formativos. A Resolução CNE/CES nº
06/2018 emerge como elemento que, longe de pacificar, acentua os descompassos
entre licenciatura e bacharelado, operando sob forte influência das racionalidades
neoliberais. A hierarquização silenciosa entre os graus acadêmicos, somada à
hegemonia do esporte e à fragilidade epistemológica da área, reforça a exclusão
simbólica de saberes e experiências plurais. Por fim, destaca-se o sistema
CONFEF/CREFs como instância disciplinar que impõe vigilância e atua na
modelação do profissional desejado. Como desfecho, evidencia-se o surgimento de
um desejo de unificação — não como retorno nostálgico, mas como crítica aos efeitos
da cisão institucional sobre a materialidade do trabalho docente e à condução
normativa cada vez mais alinhada a interesses mercadológicos.

