Estudos celulares e moleculares visando o aumento da eficiência de biotécnicas reprodutivas em suínos
Abstract
As taxas de produção in vitro de embriões (PIV) suínos melhoraram significativamente na última década. Porém, a qualidade e o desenvolvimento embrionários ainda devem ser aperfeiçoados. As altas concentrações de lipídios intracelulares e de polispermia são os principais obstáculos. Este estudo buscou entender os aspectos moleculares e celulares na reprodução de fêmeas suínas para melhorar biotécnicas reprodutivas utilizadas nesta espécie. Foi avaliada a regulação da expressão de enzimas esteroidogênicas e de membros da superfamília TGFβ durante a foliculogênese de leitoas pré-púberes a partir da simulação de dois perfis endócrinos por indução hormonal. O perfil de pró-estro foi simulado através do tratamento com eCG, enquanto o perfil préovulatório foi simulado pelo tratamento com eCG, seguido de hCG. O grupo controle foi composto de fêmeas que não receberam tratamento. Amostras de sangue e ovários de 30 fêmeas foram colhidos no momento do abate. A expressão gênica relativa foi determinada por PCR em tempo real, enquanto as dosagens hormonais determinadas por quimioluminiscência. Os níveis séricos de progesterona foram maiores no perfil periovulatório do que nos demais perfis (P<0.01), enquanto os níveis de estradiol não foram afetados (P>0.05). Os perfis endócrinos dos animais não influenciaram a expressão dos genes BMP15, BMPR1A, BMPR2, FSHR, GDF9, LHCGR e TGFBR1 (P>0.05), não encontrando diferenças entre os grupos (P<0.05). O grupo no perfil de próestro apresentou maior expressão relativa de CYP11A1 (P=0.08) comparadas ao controle, e de CYP19A1 (P<0.05) em comparação aos demais grupos. No grupo com perfil periovulatório, a expressão relativa de BMPR1B foi menor (P<0.05) do que nas leitoas do grupo controle. Outros experimentos foram conduzidos para avaliar a eficiência de inclusão do ácido eicosapentaenóico (EPA) e do ácido docosahexaenóico (DHA) no meio de MIV suíno, sobre as taxas de maturação de ovócitos, de desenvolvimento de blastocistos após ativação partenogenética, e de conteúdo lipídico de ovócitos maturados e blastocistos produzidos in vitro. Taxas de clivagem foram menores em meios contendo 12.5 μM de EPA e 50 μM de DHA, assim como as taxas de desenvolvimento de blastocistos, igualmente inferiores nos grupos em que os meios receberam qualquer concentração de EPA (P<0.05). Uma significativa redução do acúmulo de conteúdo lipídico (P<0.05) tanto nos ovócitos maturados, quanto em embriões cultivados por 7 dias, foi observada no grupo em que os ovócitos foram maturados em meio contendo 50 μM de DHA. Estes estudos concluem que o tratamento de fêmeas suínas pré-púberes com gonadotrofinas foi associado com a maior expressão de CYP19A1 e de CYP11A1 e à menor expressão de BMPR1B, sendo o efeito sobre a esteroidogênese evidente apenas no grupo com perfil endócrino periovulatório, com aumento nos níveis séricos de progesterona. Também, os resultados indicam um efeito prejudicial do meio de maturação in vitro contendo EPA sobre ovócitos suínos, e demonstram que a inclusão de 50 μM de DHA no meio MIV de suínos provoca a redução do conteúdo de lipídeo citoplasmático tanto durante a maturação ovocitária, quanto em blastocistos, demonstrando o sucesso de uma nova alternativa para potencializar a eficiência de biotécnicas reprodutivas em suínos.

