O uso educacional de smartphones no Ensino Remoto Emergencial na pandemia da Covid-19: possibilidades e limitações em percepções e vivências de professores/as de Matemática da Rede Estadual de Educação Básica do RS
Resumo
A presente pesquisa tem como objetivo geral compreender e discutir as possibilidades e limitações do uso educacional dos smartphones nas práticas pedagógicas desenvolvidas durante o Ensino Remoto Emergencial implementado na pandemia da Covid-19, na perspectiva de professores/as de Matemática em atuação na Rede Estadual de Educação Básica do RS. Diante
desse propósito, a pesquisa narrativa foi adotada como método de investigação a partir de uma abordagem qualitativa, utilizando como instrumentos de coleta e produção de dados o formulário (Google Forms), bem como entrevistas online realizadas individualmente via aplicativo Google Meet, com oito (8) professores/as que participaram em 2017 de uma capacitação (promovida pelo projeto de extensão Rede Colabora na Universidade Federal de Pelotas) sobre o uso dessa tecnologia digital no ensino da Matemática. No desenvolvimento da análise dos dados obtidos, foram utilizados os princípios da Análise do Conteúdo e, assim, três categorias foram concebidas: “Smartphones: tecnologia educacional de emergência?”; “A (Auto)Formação Tecnológica Emergencial”; “Pós-Pandemia: o uso de smartphones em perspectivas docentes”. Os resultados
evidenciaram que as características específicas (mobilidade, convergência, ubiquidade) desses aparelhos equipados com programas de software e acesso à internet facilitaram o contato/interação dos professores com os alunos e o desenvolvimento de atividades assíncronas (postagem e compartilhamento de materiais de estudo e avaliações) e síncronas (aulas online
via Google Meet) em espaços formais (Plataforma Google Sala de Aula) ou informais (Facebook e WhatsApp) de aprendizagem, prevalecendo o uso do app WhatsApp diante da resistência e dificuldades de acesso por parte dos alunos aos outros espaços virtuais, devido à falta de acesso à internet e/ou pouca familiaridade com a interface desses ambientes. Contudo, questões de
privacidade, segurança digital, sobrecarga, precarização, controle e vigilância do trabalho docente foram limitações identificadas no uso desses espaços. Diante da necessidade de aperfeiçoamento profissional, em caráter de emergência, os professores fizeram uso dos smartphones na (Auto)formação Tecnológica e na Formação Tecnológica Colaborativa, ao buscar e explorar as potencialidades de ferramentas e recursos digitais por conta própria ou por meio da interação/colaboração com outros professores e/ou familiares. No pós-pandemia, verificou-se nas narrativas docentes a continuidade do uso desses dispositivos móveis na realização de registros online de aulas, na comunicação com alunos, no acesso e compartilhamento de materiais digitais, na automatização de processos avaliativos e na exploração de softwares educacionais matemáticos com o intuito de superar o déficit de aprendizagem identificado no retorno ao ensino presencial. Desta forma, a presente tese concluiu que os smartphones se configuraram como uma tecnologia educacional de trabalho durante e após a vivência do ERE. No uso diário dessa tecnologia, os professores viabilizaram um ensino de Matemática para além dos cálculos, ao serem identificadas possibilidades que podem vir a contribuir com a construção do conhecimento matemático e com o desenvolvimento profissional docente.

