Sexualidade no processo de adolescer: uma abordagem bioecológica
Resumo
O objetivo desse estudo foi compreender as interações vivenciadas pelo adolescente para o desenvolvimento da sexualidade, na perspectiva bioecológica. Metodologia: pesquisa qualitativa, desenhada sob a influência da Psicologia do Desenvolvimento no Modelo Bioecológico do Desenvolvimento Humano de Urie Bronfenbrenner, utilizando-se da Inserção Ecológica como referencial metodológico. Foi realizada junto a 11 adolescentes de ambos os sexos, com idades de 13 a 15 anos regularmente matriculados no turno da tarde de uma escola pública de ensino fundamental do município de Pelotas/RS, devidamente autorizados pelos pais ou responsáveis no período de junho a novembro de 2015. Mediante a técnica de grupo focal, foram utilizadas dinâmicas selecionadas de material previamente existente como instrumento de pesquisa, bem como o Mapa Mínimo de Relações. Houve, também, a utilização da técnica de coleta de dados chamada observação participante e do instrumento de diário reflexivo. O software Ethnograph® foi utilizado para a codificação dos dados em categorização previamente definida pelo referencial teórico e os objetivos da pesquisa, auxiliando na etapa de interpretação. Procedeu-se a análise de conteúdo. Resultados: Os adolescentes conceberam o adolescer como o desligamento da infância rumo às transformações que possibilitaram vivenciar a sexualidade. Já a sexualidade associou-se às manifestações funcionais, relacionais e afetivas com prazer genital e/ou reprodução. Na concepção dos adolescentes, o processo de adolescer e a sexualidade restringiram-se a abordagens fragmentadas e restritas aos aspectos biológicos, reproduzindo distanciamento que fragilizou o desenvolvimento. Os adolescentes interagiam com amigos, família, escola e serviço de saúde, nesta ordem de relevância. A rede social era numerosa e multifuncional, com predomínio de amigos na função de apoio social. Foram identificadas fragilidades quanto ao acolhimento do adolescente pelos contextos família, escola e serviço de saúde. A utilização de dinâmicas nos grupos focais possibilitou a livre expressão e participação dos adolescentes no próprio desenvolvimento e foram apontadas como promotoras de interação entre adolescentes e os contextos nos quais eles participavam. Para diminuir as fragilidades e potencializar seus achados, o retorno social desta pesquisa prevê a execução de atividades alicerçadas no tripé ensino, pesquisa e extensão universitária.
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