| dc.description.abstract | O secularismo, em suas raízes, é o princípio que prega a independência do Estado em relação às doutrinas religiosas. Ou seja, o secularismo é historicamente decorrente da lenta e revolucionária reivindicação da jurisdição do Estado sobre os principais aspectos e setores da vida social, até então pertencentes à Igreja. O secularismo ganhou forma e passou a ser praticado abertamente durante o movimento cultural iluminista, no século XVIII, principalmente na França. Os franceses se destacaram durante o iluminismo devido à sua oposição aberta contra a censura e determinismo de Roma. À época a França era oficialmente um Estado teocrático católico, sob autoridade religiosa romana. Durante o século XVIII, a filosofia, as artes e, principalmente, as ciências e o estudo da natureza se distanciaram do misticismo religioso e a razão humana foi exaltada. Porém, o Estado e sua administração propriamente dita só se dissociaram completamente da religião no início do século XX, com o secularismo francês, também chamado laicidade. Nascia o Estado laico.
Atualmente, há uma importante distinção entre laicidade e secularismo, ainda que a laicidade tenha se originado de ideias intrinsicamente secularistas. Hoje, a laicidade é usada para designar a separação Estado-Igreja: a exclusão da religião da esfera pública e a neutralidade do Estado em relação às práticas religiosas. Já o secularismo moderno refere-se ao enfraquecimento e declínio da religião na sociedade atual, em todos os âmbitos, e a substituição do caráter espiritual, mágico e místico, inerentes à religião, pelo racionalismo puro. | pt_BR |