Influência dos protocolos anestésicos e métodos de eutanásia em animais de laboratório
Resumo
A presente tese apresenta estudos sobre alterações histológicas e eutanásia em
roedores, avaliação clínica e anatomopatológica de seis métodos de eutanásia em
ratos e anestesia em porquinhos-da-índia. Inicialmente, é apresentado um artigo de
revisão sobre alterações histopatológicas em órgãos de roedores submetidos à
eutanásia. Na sequência, é apresentado um artigo que teve o objetivo de descrever
os aspectos clínicos e as alterações histopatológicas observadas em pulmões e rins
de ratos submetidos à eutanásia. Nesse estudo, foram utilizados 60 animais
distribuídos em seis grupos. As eutanásias foram realizadas com gás carbônico
(CO2), isoflurano (ISO), sevoflurano (SEV), overdose de cetamina e xilazina (CX),
cetamina e xilazina (CXG) ou propofol (PG) seguidos de decapitação. Monitorou-se a
frequência cardíaca e os tempos para administração, decúbito e morte. O sofrimento
foi quantificado por uma escala. Por fim, a necropsia, coleta e coloração das amostras
foram realizadas. Entre os métodos estudados, os tempos entre a indução e a morte
com anestésicos inalatórios foram mais prolongados. A inalação de CO
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foi
considerada a mais aversiva. Macroscopicamente, todos os grupos apresentaram
manchas enegrecidas e esbranquiçadas nos pulmões e formações císticas nos rins.
Identificou-se congestão renal mais acentuada nos grupos CO2 e CX. Observaramse
maiores graus de edema alveolar no grupo PG e maiores graus de edema
perivascular no grupo CO2. Por fim, o grupo ISO apresentou os maiores graus de
dilatação tubular. Os achados levaram a conclusão que o CO
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causa mais sofrimento
aos ratos do que outros métodos, todos causando alterações macroscópicas e
microscópicas em pulmões e rins, ressaltando a necessidade de entender essas
consequências para prevenir interpretações equivocadas. O último artigo comparou a
sedação, os parâmetros cardiovasculares e respiratórios, e o tempo de recuperação
anestésica de três protocolos parcialmente revertidos em porquinhos-da-índia. Foram
utilizados 18 machos distribuídos em três grupos, que receberam: dexmedetomidina
(GD), midazolam (GM) ou ambos (metade da dose) (GDM). Após a administração, a
sedação foi avaliada usando duas escalas. Os animais foram anestesiados com
isoflurano e monitorados. Após a anestesia, receberam reversores: atipamezole no
GD, flumazenil no GM e metade das doses no GDM. Por fim, avaliou-se o tempo de
recuperação. Numa das escalas de sedação, a sedação no grupo GD foi maior que
no GM, sem diferenças significativas em relação ao GDM. A média da frequência
cardíaca foi maior no GM em relação ao GD e GDM. O consumo de isoflurano foi
menor no GD que no GM e GDM. O uso de reversores reduziu o tempo de
recuperação da deambulação nos três grupos. A conclusão do estudo foi que, a
cetamina associada a dexmedetomidina resultou em maior sedação, menor consumo
de isoflurano e redução da frequência cardíaca, comparada ao midazolam, e os
reversores aceleraram significativamente a recuperação nos grupos com midazolam.
