Efeito da obesidade e do processo inflamatório e sua relação com alterações reprodutivas e ortopédicas em éguas
Resumo
A obesidade tem se tornado um problema recorrente no manejo de equinos e está
entre os principais fatores predisponentes ao surgimento de doenças endócrinas, que
causam alterações e complicações significativas à saúde da espécie. Esta dissertação
tem como objetivo revisar a literatura sobre a influência da obesidade no processo
inflamatório e suas consequências em diferentes fases da vida reprodutiva das éguas,
além de apresentar dois artigos científicos relacionados ao tema. O primeiro artigo
analisou 34 éguas da raça Crioula, divididas em dois grupos: obesas e não obesas.
Foram avaliadas variáveis como idade, peso, circunferência do pescoço, acúmulo de
gordura na crista do pescoço e na base da cauda, além de parâmetros sanguíneos
como hemácias, hemoglobina, proteínas plasmáticas, plaquetas, leucócitos, linfócitos,
albumina, colesterol, triglicerídeos e enzimas. Os resultados mostraram uma forte
correlação entre o acúmulo de gordura na crista do pescoço e a obesidade (p=0,0000),
além de associação com claudicação e problemas reprodutivos. Éguas obesas
apresentaram inflamação crônica basal, evidenciada pelo aumento de proteínas de
fase aguda e maior contagem média de linfócitos. Isso sugere que a obesidade pode
impactar negativamente a saúde reprodutiva e ortopédica das éguas, com um quadro
inflamatório persistente. O segundo artigo investigou a eficácia de dois métodos para
tratar a retenção de placenta em éguas submetidas à cesariana eletiva. Foram
utilizadas 10 éguas prenhes sem raça definida, divididas aleatoriamente em dois
grupos: técnica de “Dutch” (n=5) e técnica do “Contrapeso” (n=5). Considerou-se
responsiva ao tratamento a égua cuja liberação das membranas fetais ocorreu em até
40 minutos. O grupo tratado com a técnica do Contrapeso apresentou tempo médio
de liberação de 5 horas (335±158 min), enquanto a média do grupo da técnica de
Dutch foi de 30 minutos (30±10 min), com três éguas respondendo ao tratamento.
Além disso, as éguas tratadas com a técnica de Dutch não apresentaram
complicações como dor intensa, hemorragia, cólica, prolapso ou metrite, sugerindo
que se trata de um método eficaz, seguro e prático para o manejo da retenção de
placenta após cesariana. A dissertação evidencia que a obesidade em éguas está
associada a alterações inflamatórias que podem comprometer tanto a saúde geral
quanto a reprodutiva, influenciando negativamente o desempenho reprodutivo da
espécie. Além disso, destaca a importância de intervenções adequadas no pós-parto,
como a técnica de Dutch, para evitar complicações e garantir o bem-estar das éguas
submetidas à cesariana.
