Crescimento, fenologia, produção e qualidade de frutos de pessegueiros obtidos por três sistemas de produção de mudas
Resumo
O pessegueiro é uma das principais frutíferas de clima temperado cultivadas no Brasil, com expressiva relevância socioeconômica. A propagação da espécie é tradicionalmente realizada pelo plantio de caroços do porta-enxerto no solo, seguido da enxertia por borbulhia. Contudo, o sistema convencional de produção de mudas apresenta limitações relacionadas à sanidade e ao desenvolvimento do sistema radicular, podendo comprometer o desempenho inicial das plantas após a implantação do pomar. Embora diversos estudos tenham avaliado sistemas de produção de mudas fora de solo, ainda são escassas as investigações que acompanham o crescimento, a produção e a qualidade de frutos de pessegueiros provenientes desses sistemas após o plantio, especialmente sob as condições climáticas da região Sul do Brasil. Diante desse cenário, o presente estudo teve como objetivo avaliar, de forma integrada, a fenologia, o crescimento vegetativo, a produção e a qualidade dos frutos das cultivares de pessegueiro ‘BRS Fascínio’, ‘Chimarrita’ e ‘Maciel’, utilizando plantas oriundas de três sistemas de produção de mudas: convencional, semi-hidropônico e em recipiente plástico, ao longo dos quatro primeiros anos após a implantação do pomar. O trabalho foi estruturado em três estudos: no primeiro, avaliou-se o comportamento fenológico das cultivares; no segundo, analisaram-se os atributos de crescimento e os componentes de produção; e, no terceiro, determinaram-se os atributos físicos, químicos e de coloração da epiderme dos frutos. Os resultados fenológicos indicaram diferenças apenas entre cultivares, evidenciando que o sistema de produção de mudas não interfere no desenvolvimento fenológico das plantas. Em relação ao crescimento vegetativo, observaram-se diferenças iniciais associadas às características morfológicas das mudas, as quais foram atenuadas com o avanço dos anos após o plantio. Quanto aos aspectos produtivos, no primeiro ano de produção significativa, as plantas oriundas do sistema semi-hidropônico apresentaram maior produção por planta, produtividade e maior massa média dos frutos, indicando efeito positivo desse sistema no desempenho produtivo inicial do pomar. Já a qualidade dos frutos foi influenciada predominantemente pelas características genéticas das cultivares, com destaque para maiores valores de firmeza, sólidos solúveis e diferenças de coloração associadas ao tipo de polpa, não sendo observadas diferenças consistentes entre os sistemas de produção de mudas. Assim, esses resultados integrados contribuem para o entendimento dos efeitos dos sistemas de produção de mudas no estabelecimento inicial dos pomares e fornecem subsídios técnicos para a modernização da cadeia produtiva do pessegueiro no Brasil.

