Espaço aéreo-faríngeo em cirurgia ortognática unimaxilar: recuo mandibular
Resumo
As deformidades dento-esqueléticas são corrigidas pela cirurgia ortognática, que apresenta variações técnicas conforme a alteração óssea e a morfologia facial. A escolha dos movimentos cirúrgicos também depende de sua repercussão nas vias
aéreas superiores, especialmente em pacientes classe III, nos quais o recuo mandibular isolado pode reduzir o espaço faríngeo, comprometendo resultados funcionais respiratórios. O objetivo desta tese foi realizar uma revisão de escopo a partir de um caso operado no Programa de Residência em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial da Universidade Federal de Pelotas (PRCTBMF/UFPEL), em paciente classe III submetido à cirurgia unimaxilar de recuo mandibular. Os desfechos analisados foram a influência da técnica cirúrgica na estabilidade esquelética e nas vias aéreas. Foram incluídos nove estudos, entre revisões, prospectivos, comparativos e relato de caso. A maioria apontou redução significativa do espaço aéreo faríngeo no pós-operatório imediato, com recuperação parcial em longo prazo. Entretanto, não há consenso quanto à associação direta entre recuo mandibular e desenvolvimento de SAHOS, uma vez que fatores anatômicos e não anatômicos, como tonicidade muscular, postura da cabeça e adaptação dos tecidos moles, também exercem influência na permeabilidade das vias aéreas.

