Percepção do impacto da pandemia de COVID-19 na rotina de trabalho de Ortodontistas que atendem crianças e adolescentes no Brasil: um estudo observacional transversal
Resumo
No início de 2020 a pandemia de COVID-19 se espalhou pelo mundo e, dentre as mais diversas consequências na sociedade, ocasionou mudanças nos serviços de saúde, incluindo na rotina de atendimento ortodôntico. Assim, o objetivo desse estudo foi analisar a percepção do impacto da pandemia COVID-19 na rotina de atendimentos de Ortodontistas/Ortopedistas funcionais dos maxilares brasileiros que atendem crianças e adolescentes, nos anos de 2020 e 2021. Foi realizada coleta de dados através de questionário on-line anônimo hospedado na plataforma SurveyMonkey no período de dezembro de 2021 até maio de 2022. Inicialmente foi realizado pré-teste do questionário, com 14 cirurgiões-dentistas não incluídos na pesquisa. A divulgação da pesquisa foi feita através de mídias sociais e e-mails. O questionário avaliou características demográficas, experiências profissionais, percepção sobre o risco dos procedimentos e medo do COVID-19, medidas tomadas durante a pandemia e impacto da pandemia na prática clínica nos anos de 2020 e 2021. Foi feita analise descritiva e o teste qui-quadrado foi utilizado para associações. Os dados foram analisados no programa Stata 16.0 e o nível de significância adotado foi 5%. Um total de 178 profissionais com pós-graduação em Ortodontia/Ortopedia funcional dos maxilares que atendiam crianças e adolescentes foram incluídos. A maioria dos participantes era do sexo feminino (81,46%), na faixa etária de 30-39 anos (34,83%). A região com maior participação foi a Sul (60,11%) e maioria atuava em cidade de grande porte (44,57%), tinha 20 anos ou mais de formação em Odontologia (43,82%) e atuava exclusivamente no serviço privado (78,09%). Mais da metade (62,14%) já havia testado positivo para COVID-19 e 19,57% relatou ter medo moderado/alto de COVID-19. Quanto a percepção do risco de contaminação de COVID-19 com atendimentos, 72,94% apontaram a remoção de aparelho ortodôntico como “Alto Risco” e 82,74% a manutenção de aparelho ortopédico como “Baixo Risco”. Com relação a teleodontologia, 66,67% dos profissionais relataram ter realizado. Segundo os profissionais, a maior dificuldade enfrentada na pandemia foi a ausência ou desistência dos tratamentos (74,43%). Quanto à percepção das dificuldades financeiras, mais de 95% afirmaram que a pandemia gerou custos adicionais ao trabalho e mais da metade (51,59%) relatou ter aumentado o valor das consultas. Para 70%, a busca por avaliação ortodôntica/oretopedica diminui em 2020, tendo aumentado em 2021. A pandemia claramente impactou a rotina de trabalhos dos ortodontistas brasileiros que atendem crianças e adolescentes no Brasil. Tal conhecimento pode auxiliar a compreender os impactos vivenciados pelos profissionais e consequências a longo prazo da pandemia na rotina da especialidade.

