Arte, vida e experiência: a sala de aula como espaço do acontecer
Resumo
Esta escrita, como dissertação de mestrado vai dialogar com a arte e com as
dimensões do sensível, se dedicando a pensar a importância da potência da
experiência estética para os processos de formação e de subjetivação, que
atravessam os educandos durante o percurso vivido em um curso de formação
de professores em Licenciatura em Artes Visuais da Universidade Federal de
Pelotas. A pesquisa tem como problemática a seguinte questão: O que pode a
experiência estética na formação de professores? Tendo como principal objetivo
a proposta de um modo autoral de abordar o ensino de arte, a partir de
experiências de caráter estético, como mais uma possibilidade de caminhar em
direção a uma formação estética e crítica, fugindo dos modelos pré
estabelecidos que permeiam este mesmo ambiente. A partir do objetivo geral se
desdobram os objetivos específicos, sendo: problematizar novas maneiras de
pensar, de ser e estar no mundo, por meio da arte; desenvolver o conceito
profartistar e o colocar em prática no estágio docente; compreender como o
profartistar reflete no processo de formação dos estudantes do curso de
Licenciatura em Artes Visuais; refletir sobre o meu próprio processo de formação
em artes. O profartistar acontece como uma proposição pedagógica, em um
processo de formação que é artístico, mas também crítico, reflexivo, sensível,
estético e auto-formativo, buscando desenvolver a autonomia nos estudantes,
para que eles também sejam autores de sua própria docência, a partir das
escolhas e caminhos que escolherem traçar. Buscar trazer à superfície a partir
da A/R/Tografia, um “profartistar” docente, transformando o espaço de sala de
aula em um espaço do acontecer, em um espaço onde seja valorizada a vida, a
arte, a educação, o sensível, e não só o inteligível. Um “profartistar” que seja
como uma obra de arte, que proporcione experiências, nos formem e nos
transformem, que seja resistência e re-existência diante dos pensamentos já
enraizados na sociedade. Um profartistar sustentado por três tesselas que julgo
ser importante dentro da formação de professores em artes visuais sendo elas:
corpos em formação, aulas potência, formação sensível, a partir daí a sala de
aula é experienciada como espaço do acontecer. Uma proposta baseada em
autores que tratam de experiência, arte e educação, como Jorge Larrosa,
Marcos Vilella Pereira, Paulo Freire, Sandra Mara Corazza e Miriam Celeste
Martins. Os resultados se consolidaram em um processo de vivências artísticas
e pedagógicas, com experiências práticas e teóricas, aliadas aos registros dos
alunos nos diários de bordo artesanais (confeccionados por mim) distribuídos no
início do semestre. Nossas vivências e partilhas de fato fizeram sentido e é
possível perceber uma diversa produção/criação de significados. A experiência,
a vivência e a patilha estética aconteceram, ancoradas em princípios da arte e
da educação, abrindo um espaço de possibilidade para uma formação docente
mais sensível, estética, integral, crítica, reflexiva e autoformativa.

