Alguma coisa faltou aqui: exposições de artes visuais como dispositivos anti-epistemicidas
Resumen
Esta dissertação se insere no campo da história, teoria e crítica das artes visuais,
com enfoque na produção de artistas e curadores negros. As questões
motivadoras da pesquisa foram as seguintes: (1) Qual é o lugar da arte afro brasileira na história da arte? (2) Como se manifesta o epistemicídio negro no
campo das artes visuais? (3) Quais ferramentas teóricas e práticas podem
funcionar como dispositivos anti-epistemicidas, reparando falhas detectadas nas
narrativas oficiais? O texto, que tem como título principal “Alguma coisa faltou
aqui”, inspirado numa obra de arte contemporânea, enfatiza ausências que não
podem mais ser omitidas. Já a metáfora da rachadura, que serviu de base para
as reflexões desenvolvidas no decorrer dos capítulos, nasce da intersecção
conflitante do campo dos estudos artísticos com o campo dos estudos étnicos.
Em termos teórico-metodológicos, este trabalho está fundamentado em
conceitos desenvolvidos por diferentes pensadores, tais como: Michel Foucault,
que formulou o conceito de “dispositivo”; Boaventura de Sousa Santos, que
cunhou a expressão “epistemicídio”; Sueli Carneiro, que elaborou as noções de
“dispositivo de racialidade” e “epistemicídio negro”; e Anne Lafont, que questiona
o lugar da arte nos mundos negros e o lugar da arte negra no mundo. Tratada
como estudo de caso e analisada a partir desses aparatos teóricos, a exposição
de artes visuais Presença Negra (MARGS, 2022), aponta novas perspectivas
para a superação do epistemicídio da arte negra sul-brasileira.
