Acesso à detecção de casos da tuberculose pulmonar no Rio Grande do Sul
Resumo
Objetivo: Avaliar o acesso à detecção dos casos de tuberculose pulmonar nos serviços de saúde de municípios do estado do Rio Grande do Sul. Método: estudo descritivo, composto por dados extraídos de pesquisa multicêntrica. A coleta de dados ocorreu nos municípios de Canoas, Pelotas, Santa Cruz do Sul e Sapucaia do Sul localizados no estado do Rio Grande do Sul. Foram entrevistadas pessoas com tuberculose pulmonar entre os anos de 2013 e 2014. Aplicou-se formulário que contemplava questões referente ao acesso geográfico, a utilização dos serviços de saúde e a oferta dos exames essenciais para o diagnóstico da tuberculose. Para análise do acesso geográfico mediu-se as distâncias entre o domicílio da pessoa com tuberculose e os serviços de saúde próximos, utilizados para primeiro atendimento e para o diagnóstico. Considerou-se como acesso facilitado aqueles serviços localizados em até 800 metros e acesso dificultado os localizados a distância superior a 800 metros. Aplicou-se o teste Qui-quadrado para verificar associação entre os serviços de saúde localizados em até 800 metros e os localizados à distância superior a 800 metros. Quanto a análise dos dados referente a utilização e a oferta de exames foram descritas as frequências relativas e absolutas. Resultados: nos municípios de Canoas e Pelotas encontrou-se associação estatística significante entre as distâncias dos serviços de saúde e o primeiro serviço procurado pelas pessoas (p=0,001) e (p=0,001) respectivamente. As unidades de pronto atendimento localizadas a distância superior à 800 metros são as mais procuradas para o primeiro atendimento, 40,5% (32) em Canoas e 35,9% (24) em Pelotas. Houve associação estatística entre as distâncias dos serviços de saúde e o serviço que diagnosticou em Canoas (p=0,004) e Pelotas (p=0,001), apontando que os serviços especializados localizados a distância superior a 800 metros são os mais procurados, correspondendo a 87,4% (69) em Canoas e 59,7% (40) em Pelotas. Com relação a utilização dos serviços nos quatro municípios (n=290) verificou-se que 37,5% (109) das pessoas foram diagnosticadas no primeiro serviço de saúde procurado e 62,4% (181) tiveram que buscar outros serviços de saúde até obter o diagnóstico da tuberculose. Os serviços especializados foram os mais utilizados para o primeiro atendimento por 39,7% (115) das pessoas e também os que apresentaram melhor desempenho, na oferta de baciloscopia de escarro para 64,1% (186), radiografia de tórax para 57,2% (166) e exame anti-HIV para 62,7% (182). Conclusão: o acesso a detecção da tuberculose apresenta entraves nos municípios em estudo quanto a oferta de ações e a utilização dos serviços de saúde, porém os serviços estão distribuídos geograficamente próximos as pessoas com sintomas da tuberculose. As unidades de APS neste processo apresentam os menores resultados quando comparados com os outros serviços de saúde apontando a baixa participação na detecção de casos de tuberculose.